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  • 03/02/2012

Contra fluxo não há argumentos …

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Contra fluxo não há argumentos …

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O ano mal começou e a bolsa de valores, grande vilã de 2011, já bateu todas as expectativas dos investidores. Com alta de 11,13% já superou, em apenas um mês, o CDI anual. Na ponta contrária o dólar, que apresentou queda de 6,63%. E, não por coincidência, foi justamente ele um dos melhores investimentos de 2011, com alta de 12,3%. Mas e aí, mudança de tendência? A alta veio pra ficar?

Calejados e cansados de ‘furar’ em suas previsões, especialmente após a crise de 2008, ao fim do ano passado a grande maioria dos analistas foi cautelosa ao divulgar suas expectativas e projeções para o Ibovespa em 2012. Muitos até mesmo ficaram restritos aos comentários e projeções econômicas, sem arriscar qual vai ser a pontuação do índice no fim do período. Os que tiveram coragem de projetar foram modestos – com projeções em torno dos 65.000 pontos, o que refletia uma valorização do índice muito próxima à expectativa do CDI.

Pois o ano começou e, ao contrário do que muitos pensavam, a bolsa simplesmente ‘explodiu’: 21 dias de pregão com apenas dois dias de baixa relevante! Poucas vezes na história recente vimos coisa parecida.

Explicações, como sempre, não faltaram. A mais ‘genérica’ é a melhora no cenário externo. Grécia próxima a um acordo com seus credores; dirigentes da zona do Euro empenhados em resolver a situação de alto endividamento de alguns países; aprovação de um novo pacto fiscal; venda de títulos de países a juros menores; etc. Nos EUA, sinais de melhora na economia e empregos e a possibilidade de um novo Quantitative Easing, mecanismo pelo qual o Banco Central compra títulos públicos para injetar dinheiro na economia. Mas, convenhamos, há realmente alguma novidade nisso?

Por outro lado, países e instituições da Zona do Euro tiveram suas classificações de risco rebaixadas; apesar dos juros menores, o prêmio de risco aumentou em boa parte dos títulos vendidos; as expectativas para o PIB na Europa continuam reduzidas e a Grécia, até agora, não chegou a acordo algum. No lado de cá do Atlântico, o FED continua com expectativas de crescimento lento da economia, juro baixo por mais alguns anos e os preços e salários, que continuam próximos à estabilidade, completam o quadro de estagnação.

Qualquer um que tenha acompanhado o mercado durante o ano passado e tenha um mínimo de memória sabe que todas essas notícias não são nenhuma novidade – só que, ao contrário de agora, normalmente eram motivos para queda dos mercados.

Mas, então, o que realmente explica esse desempenho fenomenal da renda variável no início do ano? Sem desmerecer todas as notícias e explicações, muitas vezes apresentadas em elaborados e complexos relatórios, a resposta parece ser simples: fluxo de capital.

Não é novidade que o Brasil é visto como uma excelente oportunidade de investimentos. Entretanto, tanto em 2008 como em 2011 fomos vítimas de nosso próprio sucesso. Como? Justamente por sermos a ‘bola da vez’ somos extremamente líquidos, ou seja, vulneráveis à entrada e saída de capital, seja ele para investimento especulativo ou de longo prazo.

Traduzindo em números, fechamos 2011 com saldo negativo (saída) de capital estrangeiro na Bovespa no montante de aproximadamente R$ 14 bilhões que resultaram em queda de 18,11% no índice. Em janeiro, com a entrada de 7,2 bilhões, o IBOV teve alta de 11,13%. E isso não é mera coincidência.

Também não era novidade pra ninguém que, ao contrário de 2008 em que a fuga de capitais tinha destino (cobertura de prejuízos, equalização de balanços, etc.), em 2011 a saída de capital dessa vez foi pura aversão ao risco. Portanto, se há dinheiro, uma hora ou outra ele volta para o mercado e aí, aconteça o que acontecer, quem manda é o fluxo, afinal de contas, como se diz no meio, “o mercado é soberano”.

E o futuro? Será que vamos repetir o ano de 2009 quando a Bovespa subiu 80% contrariando projeções de analistas e indo na contramão da própria economia? É impossível prever. Acredito que, mais do que notícias e análise complexas sobre o mercado e economia, o monitoramento do fluxo pode e deve ser o melhor termômetro, afinal de contas, como diz outro dito famoso no mercado financeiro, “contra fluxo não há argumentos”.

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Contra Fluxo Não Há Argumentos … por Alexandre Amorim – 03.02.2012

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