Carta do gestor: Outubro 2021

  • 15/10/2021
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Temos que manter o olho bem aberto, a disciplina e a racionalidade

Estamos vivendo a época mais turbulenta que a maioria das pessoas dessa geração já passou. Ninguém poderia imaginar que uma gripe paralisaria o mundo, mas parou!

Vieram as vacinas e, com elas, a volta da esperança. Mas a volta à normalidade tem sido muito mais turbulenta do que se podia imaginar.

Por um lado, temos economias hiper estimuladas, consumindo, investindo e buscando a retomada do crescimento e de outro, uma cadeia de suprimentos que ainda sofre diversos problemas por conta da pandemia.

No oriente, ainda se mantém a política de lockdown a cada nova onda do vírus. E quando se fecha um porto em qualquer cidade, por mais inóspita que seja, alguma coisa vai faltar no mundo alguns dias depois. Apenas como exemplo, recentemente um lockdown na Malásia resultou na falta de chips para a indústria automobilística. A consequência: faltam carros novos, o preço dos usados sobe e isso afeta a inflação.

Outro fator importante é a questão energética. Restrições de oferta e diminuição de investimento, somados à questão climática na Europa, levaram a elevação dos preços do petróleo e gás natural. Resultado, mais inflação à vista.

E a lista de motivos para turbulência não para por aí. Na China, arrefecimento do crescimento e problemas de solvência com a maior construtora do país. Nos EUA, o discurso mais duro do presidente do FED, com a promessa de diminuição de estímulos ainda esse ano, desencadeou a elevação de taxas de juros, contagiando outros mercados. Por lá, vemos ainda divergências políticas sobre teto de gastos e pacote de infraestrutura.

E no Brasil, os problemas de sempre. Discussão sobre o teto de gastos, problemas para encaixar despesas no orçamento, insegurança jurídica e todos os embates políticos. Isso somado a um noticiário bastante desanimador que tem afugentado investidores.

Desanimado até aqui?

Quando olhamos sob outra ótica, temos também muitas coisas boas acontecendo. No Brasil, a criação de empregos vem surpreendendo positivamente. Muitos dos indicadores de crescimento vem seguindo sua trajetória de retomada, assim como a relação dívida/PIB que segue decrescente.

Mas o mais importante talvez seja observado no mundo corporativo. A despeito de todos os problemas de Brasília, as empresas (em geral) têm mantido seus planos de investimento e expansão para 2022. Da mesma forma, o cenário de negociações (fusões, aquisições, IPOs) continua aquecido.

Confira a nossa análise semanal do cenário macroeconômico com foco nos investimentos, por Alexandre Amorim, CGA.

Essa turbulência, muitas vezes, causa distorções e exageros nos preços. E ao que tudo indica, estamos em um desses momentos. Por todas as óticas de avaliação, os múltiplos das empresas estão atrativos. Podemos ter mais volatilidade à frente? Sim. Mas historicamente, são em momentos como esse que aparecem as melhores oportunidades.

Também não podemos esquecer da alta da Selic que, somado a um mercado de crédito aquecido, tem trazido (de volta) ótimas oportunidades nos investimentos com menor volatilidade.

Portanto, como estamos acostumados no nosso país, temos que manter o olho bem aberto, a disciplina e a racionalidade – o que vale tanto para os momentos bons como para os ruins. Sem dúvidas, essa postura é o que faz a diferença no longo prazo.

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