Carta do gestor: julho 2020

  • 17/07/2020
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Pandemia, economia, Brasil e o “novo normal”

A crise de 2020 provocou mudanças radicais para todos! Tanto que uma das frases mais ouvidas era o “novo normal”, que expressava um comportamento diferente que haveria depois da pandemia – seja lá que comportamento fosse esse.

E de fato, estamos vivendo novas experiências, grandes mudanças, novas formas de encarar os desafios. Algumas muito claras, algumas silenciosas. Todos nos acostumamos com o Home Office – muitos adoraram, outros nem tanto. E, particularmente, não conheço ninguém que gostou do Homeschooling (especialmente os pais). Por outro lado, retrocedemos em algumas mudanças, como por exemplo, a tendência de “economia compartilhada”.

Na economia, a experiência com as crises recentes fez com que os bancos centrais reagissem de forma contundente e rápida – muito mais rápida do que em 2008. Isso está fazendo os mercados financeiros se recuperarem de forma rápida, como sempre, se antecipando aos fatos. Também responde a uma das perguntas que mais se ouvia no auge da crise – se a recuperação seria em formato de V, W ou L.

Confira a nossa análise semanal do cenário macroeconômico com foco nos investimentos, por Alexandre Amorim, CGA.

Mas essa reação dos bancos centrais tem um custo. Com dinheiro de sobra e taxas de juros muito próximas de zero (quando não negativas), os investidores acabam assumindo mais riscos. E isso não significa apenas investir em bolsa, mas em diversos ativos em que não se têm uma expectativa certa de retorno. Uma das coisas que estamos vendo agora é a injeção de dinheiro sem fim em empresas de tecnologia, que permanecem deficitárias por anos e que já tem valor de mercado muito maior do que seus pares “seculares”.

Vale lembrar que, desde 2008, as economias vêm sendo estimuladas com a injeção de dinheiro dos bancos centrais. Por muito tempo esperava-se que as economias retomassem e um dos fatores que mediriam isso seria a inflação. Mas, surpreendentemente, essa inflação nunca veio. Uma das justificativas era de que a tecnologia estava revolucionando vários setores, acabando com intermediários e diminuindo custos – o que de fato é verdade.

Mas quanto tempo será que vamos aguentar toda essa enxurrada de dinheiro sem gerar inflação? Já começa a ter uma disparidade muito grande nos preços dos ativos e uma das grandes possibilidades para o futuro é que os países precisem colocar para funcionar as “máquinas de impressão de dinheiro” e como consequência, teremos de volta inflação a taxas que já não estamos mais acostumados. Quem sabe…

Aqui no Brasil, uma outra grande mudança foi “catalisada” por essa crise – que é a forma como o brasileiro investe e acompanha seus investimentos. A crise sacramentou o “fim do CDI”, tanto como gerador de renda como de benchmark para os investimentos – já que o CDI já não oferece ganho acima da inflação.

No campo político, retrocedemos muito! Tínhamos no início do ano o universo político (o que incluía congresso, estados e prefeituras) cientes de que o caixa do governo estava baixo e que o cobertor era curto. Com a lei de responsabilidade fiscal e o teto dos gastos, para abrir uma torneira era necessário fechar outra e, com isso, a possibilidade de aprovar as reformas tão necessárias para enxugar nossa máquina pública estavam prestes a sair do papel. Com a pandemia, se achou uma nova torneira, gigante, que chamou-se de orçamento de guerra e com isso, pode-se encharcar muitos caixas por aí…

Mas toda crise gera oportunidades e bem ou mal, temos agora a possibilidade de aprovar algumas reformas. A primeira delas deve ser a tributária que, numa manobra silenciosa, parece estar sendo apressada numa disputa para assumir sua “paternidade”.

Há um ditado que diz que o Brasil está “sempre em dia com o atraso”. Mas o caminho é longo, somos resilientes e nossa economia está sendo muito bem conduzida. Temos problemas gigantescos, mas, sempre tivemos. Esperamos sair dessa mais fortes e que o “novo normal” seja bem melhor do que podemos imaginar.

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