Atual situação econômica do Brasil – Carta do Gestor

  • 16/09/2021
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O Brasil nunca foi um país fácil

O ano de 2021 veio como o ano da esperança, da volta da normalidade depois de uma experiência tão complicada como foi 2020. Mas já estamos às portas do último trimestre do ano e essa “normalidade” está demorando muito mais do que se tinha em mente.

Mas os problemas não são só nossos. Na Ásia, a política de Covid zero ainda tem levado a fechamento de cidades e portos a qualquer sinal de contágio, gerando fortes problemas na cadeia de suprimentos, pressionado a inflação a nível global. Países desenvolvidos que se adiantaram no processo de vacinação foram surpreendidos pela variante Delta, que elevou o número de casos novamente para patamares altos. Mesmo que não tenha havido lockdowns tão severos, isso tem sido uma forte restrição à volta da normalidade, especialmente no setor de serviços.

Aqui no Brasil, apesar da gestão atabalhoada da crise sanitária, a adesão à vacina surpreendeu positivamente e não sofremos – como em outros países – aumento de casos com a variante Delta. Com isso, deveremos ter ainda no segundo semestre a retomada dos velhos hábitos, com maior circulação de pessoas e fortalecimento do turismo e lazer.

Por outro lado, vivemos uma forte turbulência institucional. As rusgas entre o Executivo e o Judiciário prejudicam fortemente a estabilidade econômica, seja pelo desenrolar da crise em si, seja pela imagem ruim que passamos para os investidores. Isso tem levado ao enfraquecimento do Governo e a abertura de espaço para as barganhas do Legislativo – que reavivaram as preocupações com os (sempre presentes) problemas fiscais.

Como se isso não bastasse, vivemos também a pior seca da história, levando ao uso de energia mais cara e risco de racionamento.

Ou seja. Quando todos esperávamos uma maior calmaria e desenvolvimento, estamos às voltas com o retorno da inflação, aumento de juros e receio com a solvência do país.

Seria a tempestade perfeita?

Tem o outro lado. Primeiro, é que crises institucionais nunca foram novidade no Brasil, assim como a preocupação com o fiscal. Apesar dos fortes problemas conjunturais, nosso país (incluindo nossas instituições) sempre foi mais forte do que a maioria de nossos pares. Ou seja, sempre andamos na corda bamba, mas sempre conseguimos nos segurar.

A pandemia obrigou as empresas a se digitalizarem e se tornarem mais eficientes. Os resultados apresentados têm sido positivos e, a despeito de todos os problemas, o preço dos ativos parece atrativo quando comparado aos pares.
A renda fixa também volta a ser atrativa e esse é um grande trade off – vale a pena ter estabilidade de títulos de crédito com rentabilidade acima de 10% ao ano ou apostar em preços descontados de ativos reais?

Confira a nossa análise semanal do cenário macroeconômico com foco nos investimentos, por Alexandre Amorim, CGA.

O fato é que o Brasil nunca foi um país fácil de lidar e, por isso, nunca podemos estar otimistas demais, mas também ter cuidado com o pessimismo excessivo.

Crises sempre trouxeram oportunidades e dessa vez não deve ser diferente. Alinhar investimentos ao horizonte de tempo, ao risco e aos objetivos de retorno será cada vez mais necessário para colher os frutos no futuro.

Com esse pano de fundo, o mercado segue aumentando o prêmio de risco exigido no preço dos ativos – essa é uma maneira elegante de dizer que os preços de todos ativos brasileiros caíram.

O dilema que se apresenta nesse momento é: há prêmio suficiente? Devemos tomar mais risco agora, aumentando as posições otimistas, ou reduzir o risco já que as incertezas devem se manter altas, ainda mais com um ano eleitoral por vir?

Por ora, nossa resposta tem sido: há prêmio suficiente no mercado acionário e na parte intermediária da curva de juro real para mantermos as posições atuais e incrementar aos poucos o risco do portfólio. Em outras palavras, o mercado está mais barato, mas não estupidamente barato (se vai chegar nesse nível é talvez a pergunta mais relevante).

O mercado acionário local é suportado pela contínua reabertura da economia conforme a vacinação avança e a vida retoma a algo que lembra o “normal”. Ou seja, há boas perspectivas para os lucros, pelo menos no horizonte de curto prazo. Já do lado da taxa de desconto (ou do valuation), temos uma com os constantes ataques ao teto.

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Comentário(s): 203

       
  1. Olá.
    Quero fazer um investimento de 2 milhões em um galpão para confinamento de vacas leiteiras juro 6% seria o momento ou a tendencia dos materias de construção irá reduzir?

    1. Rodrigo, boa tarde!
      Nesse momento, ainda vemos uma conjuntura macroeconômica bem conturbada, com bastante pressão e volatilidade nos preços das commodities. Logo, os materiais de construção poderão ser bem impactados e não vislumbramos, em um curto período de tempo, uma diminuição nos preços como um todo.
      Todavia, a decisão de você realizar o investimento para o confinamento de gado não deve ser tomada unicamente baseada no custo. Sabemos sim que ele impacta na viabilidade final, mas o seu produto final (leite) também é uma commodity agropecuária importante e também deve estar em alta nesse momento. Logo, esperar uma baixa no mercado de material de construção poderá impactar no preço atual de seu produto final também (ou seja, a ponto que o material de construção fica mais barato, o seu produto final também ficará mais barato).
      Portanto, aconselhamos que você faça um planejamento para o investimento que deseja fazer considerando não somente o custo, mas a oportunidade que a alta nas commodities representam em termos de lucratividade para o seu negócio. Se mesmo com um custo elevado o retorno do seu investimento for significativamente positivo, valerá a pena correr os riscos de uma nova alta dos custos. Mais uma vez, um planejamento é ideal para a gestão dos riscos do investimento que você deseja fazer.
      Sucesso!

  2. O nosso país deve investir bastante na educação caso a elite dominante queira progresso. Em educação ampla que abra os horizontes do povão, e´a unica e primordial formula para superar a pobreza. Enquanto os economistas ficarem fazendo só estatística o progresso econômico fica intimidado.

    1. Zoraia, boa tarde!
      Não entendemos a sua dúvida. Poderia nos explicar melhor para que possamos te ajudar de forma mais assertiva?
      Até mais!

    1. Luciano, boa tarde!
      Ficamos felizes que você esteja em busca de conhecimento. No nosso blog temos mais de mil artigos, além de guias e ferramentas. Acesse https://www.parmais.com.br/blog/ e confira. Se quiser ficar por dentro do cenário econômico e saber mais sobre investimentos, assine gratuitamente o podcast semanal do nosso gestor Alexandre Amorim.
      Sucesso!

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