A Cavalaria Chegou!

  • 21/09/2012
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Economia – Cenário e Estratégia

Ao longo dos últimos trinta dias observamos uma série de movimentos por parte dos principais bancos centrais do mundo renovando e ampliando seus pacotes de estímulo monetário e aumento da liquidez dos sistemas financeiros. Como consequência, a percepção de risco dos investidores diminuiu, os seguros de default (CDS – Credit Default Swaps) dos países europeus caíram fortemente (queda de 25% em um mês, 36% em 6 meses e 50% em um ano) e as bolsas de valores e ativos de risco apresentaram uma recuperação a partir de agosto e mais intensamente nesse mês de setembro.

Diante desse movimento o que podemos esperar para a bolsa brasileira para os próximos meses? Será que as medidas recentemente anunciadas são suficientes para estancar a deterioração da crise na zona do euro?

Apenas uma recapitulação das análises anteriores de Cenário e Estratégia:

  •  Junho de 2012 => Após um início de ano com forte valorização o Ibovespa voltou a recuar para as mínimas de 2012 (atingindo 52mil pontos) com preocupações com a evolução da crise na zona do euro. Reiteramos a importância de focar nos fundamentos das empresas, selecionando companhias de qualidade e evitar embarcar no pessimismo consensual do mercado. Citamos o nosso velho conhecido W. Buffet com o intuito de aproveitar os movimentos exagerados para aumentar posição – “A maioria das pessoas se interessa por ações quando todo mundo está interessado. O momento de interessar-se é quando ninguém mais se interessa. Não se ganha dinheiro comprando o que é popular.”
  • Fevereiro de 2012 => No início do ano, após um final de ano preocupante com a Espanha, Itália e Portugal, o Banco Central Europeu anunciou um pacote para financiar os bancos da região e como consequência os ativos de risco se valorizaram com o Ibovespa atingindo 68mil pontos em meados de março. Reiteramos nossa visão positiva de longo prazo e de que o Brasil se insere no grupo dos países menos impactados pela crise externa e que o foco nas empresas de qualidade e seleção de ativos seria o principal fator de sucesso na estratégia em ações, porém chamamos a atenção para o excesso de otimismo no curto prazo uma vez que os problemas da crise ainda poderiam voltar a criar volatilidade nos mercados.
  • Agosto e Setembro de 2011 => Período mais conturbado desde o estouro da crise dos EUA com o Ibovespa atingindo 48mil pontos, menor patamar desde os 29 mil pontos de 2008. Na época chamamos a atenção para o risco da situação corrente, mas lembramos do valuation atrativo da bolsa brasileira e nos efeitos positivos do inicio do ciclo de corte de juros iniciado pelo Banco Central brasileiro, sugerindo aumento nas exposições compradas – Comprar ao som dos canhões e vender ao som dos violinos.

A escalada da crise da zona do euro e o impacto nas demais economias do mundo vem sendo há algum tempo o tema mais importante para a tomada de decisão por parte dos investidores, governos e bancos centrais ao redor do mundo. Ao longo dos últimos dois anos aproximadamente, nomes de países como Itália, Espanha, Portugal e França (em menor grau) começaram a sofrer as consequências de seus excessos em tempos de bonança e caíram na linha de tiro dos investidores internacionais. O tamanho e importância desses países na Europa e no mundo, elevaram o risco de ruptura na região no final de 2011 e meados de 2012 ao maior nível desde o inicio do desenrolar da crise na Europa, encarecendo o custo de financiamento das dívidas soberanas desses países ao maior patamar desde a criação do Euro. Pela dificuldade de coordenação política, a demora e pouca eficácia das medidas anunciadas até então acabavam tendo um efeito temporário… Será que dessa vez a solução é definitiva?

Acreditamos que não, uma vez que a volta para uma tendência consistente de crescimento econômico dos países da região do euro depende de fatores estruturais e o tempo fará esse trabalho. Contudo, achamos que a reação recente das autoridades e os pacotes anunciados podem definitivamente interromper a sangria e deterioração da crise, reduzindo os excessivos custos de captação dos países fragilizados. Dessa vez a Cavalaria chegou para ficar.

 

Medidas e intervenções que foram anunciadas no último mês:

  • 06/09/2012: O BCE – Banco Central Europeu anunciou o lançamento de um novo programa de compra de títulos das dívidas dos países da zona do euro, podendo comprar de maneira ilimitada os títulos dos países no mercado secundário;
  • 07/09/2012: O governo da China aprovou um pacote de 60 projetos de infraestrutura, avaliado em US$150 bilhões, para estimular sua economia. Os projetos incluem expansão de linhas de metrô, novas rodovias, portos e aeroportos.
  • 14/09/2012: O FED – Banco Central dos EUA anunciou o tão aguardado QE3 (quantitative easing) que abrange a compra mensal de US$40bi em títulos lastreados em contratos de crédito imobiliário, a continuidade da operação Twist que consiste na aquisição de US$85bi por mês até final de 2012 de títulos de longo prazo de emissão do Tesouro americano, além de ter estendido sua previsão de que os juros permanecerão excepcionalmente baixos até meados de 2015 (o prazo anterior era meados de 2014).
  • 19/09/2012: O Banco do Japão segue os demais bancos centrais e afrouxa mais sua politica monetária com novo pacote de estímulos. O programa de aquisição de ativos será elevado em cerca de 10 trilhões de ienes (US$ 126 bilhões) em títulos do governo japonês.

Abaixo seguem os gráficos que demonstram a evolução e tamanho dos programas de estímulos aplicados pelos principais bancos centrais do mundo:

 

 

Diante desse movimento o que podemos esperar para a bolsa brasileira para os próximos meses?

 

Além dos pacotes externos, chamamos a atenção para os inúmeros incentivos anunciados ao longo dos últimos dois meses pelo governo brasileiro. A desoneração na folha de pagamentos vai abranger 20 segmentos da indústria, 2 setores de serviços e 3 de transportes, além da prorrogação da redução do IPI para linha branca, material construção, móveis, veículos leves e bens de capital. Por ultimo, o governo lançou um programa de redução de custo da energia como parte integrante do projeto governamental de melhoria da infraestrutura do país.

Acreditamos que as medidas anunciadas pelo governo brasileiro em conjunto com o atual ciclo de redução de juros pelo Banco Central do Brasil, que levou a SELIC para mais uma mínima historia de 7,50% na última reunião, elevarão o ritmo de crescimento da atividade econômica para os próximos trimestres e para o ano de 2013. Alertamos inclusive que muito provavelmente o tema Inflação ganhará força ao logo do ano de 2013, portanto é importante focar em empresas ligadas a setores que possuam essa característica defensiva, como Shopping Centers, empresas de Imóveis Comerciais e Concessões Rodoviárias.

Brasil: Foco nas blue chips.

Sugerimos aumento das exposições ao longo dos próximos meses em setores cíclicos e bancos, com foco nas large caps: Itaú, Bradesco, Gerdau, Vale e BR Foods. Conforme podemos observar no gráfico abaixo, pesos relevantes do Ibovespa (mineração, petróleo, bancos e siderurgia) apresentaram um fraco desempenho ao longo dos últimos anos e em especial, em 2012. Entendemos que cada um desses setores ou empresas desses segmentos, sofreram com assuntos específicos (Vale com litígios tributários e risco China, Bancos com queda do spread bancário, Siderurgia com entrada de importados e excesso de capacidade e Petrobras com defasagem do preço da gasolina) pressionando ainda mais o índice.

Ademais, observamos nos últimos 4 a 5 anos uma performance relativa muito superior das empresas ligadas ao mercado interno brasileiro (varejo e consumo, educação, saúde e serviços em geral) e empresas pagadoras de dividendos. Entendemos que muitas dessas empresas, apesar de sua reconhecida qualidade, se encontram demasiadamente caras sendo negociadas a múltiplos P/L acima de 25x ou 30x. Por outro lado as empresas cíclicas, mesmo que se defrontando com um cenário fraco de crescimento mundial, se encontram em patamares de valuation e performance relativa mais confortável.

 

Conclusão: Sugerimos um aumento da exposição em ações das carteira e uma rotação de portfólio, elevando a participação das large caps (Itaú, Bradesco, Gerdau, Vale e BR Foods). Recomendamos seletividade criteriosa na inclusão de empresas de menor valor de mercado e ligadas ao mercado doméstico (atenção com empresas que tiveram valorização expressiva), além de setores regulados em função da maior influência do governo.

 

Fonte: Bloomberg e Capital Investimentos

Capital Investimentos

Fernando Barbará: [email protected]

Natália Belfort: [email protected]

Pedro Brandão Fagá: [email protected]

21/09/2012

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